32.1.2 LARGO COMENDADOR PAMPLONA
CABO DA PRAIA • LARGO COMENDADOR PAMPLONA, PORTO MARTINS
CONJUNTO EDIFICADO
CONJUNTO DE EDIFÍCIOS OU DE OUTRAS CONSTRUÇÕES
ÉPOCA DE CONSTRUÇÃO INICIAL: SÉC.XX
DESCRIÇÃO: Conjunto edificado constituído pela Igreja de Santa Margarida, pelo Império do Porto Martins (com "despensa" próxima), pelo edifício da Casa do Povo do Porto Martins, por um edifício de habitação, por um chafariz, pelo muro com banquetas embutidas ("conversadeiras") que limita o largo pelo lado do mar e pelo "tourilho" na embocadura. Todos estes elementos estruturam um largo que é atravessado pela estrada.
A igreja, a casa do povo e o edifício de habitação têm as fachadas no mesmo plano, com balcões elevados em relação à cota da estrada e separados desta por um pequeno muro. O império, com a "despensa" ao lado, remata o largo a nascente. O "tourilho" situa-se na extremidade sudoeste do largo, na continuidade do muro que parte do chafariz.
A igreja é constituída por um corpo principal rectangular, ao qual encosta o corpo da capela-mor igualmente rectangular mas mais estreito. Encostados à fachada lateral direita da igreja encontram-se a torre sineira (na continuidade da fachada) e o corpo da escada que lhe dá acesso. O corpo da sacristia encosta à fachada lateral direita da capela-mor. A igreja tem seis vãos na fachada principal (encimados por cornija sobre a verga), correspondendo três ao piso térreo (uma porta entre janelas) e outros três ao piso superior (janelas de peito com pequenas guardas em ferro fundido). A parte superior da fachada é recortada e rematada por uma cornija que se estende à torre sineira e cuja extremidade esquerda é encimada por um pináculo. Sobre o vão central do piso superior existe uma cartela com a data "1901", mais acima, um óculo circular e, sobre o vértice da cornija, uma cruz. Na fachada principal há ainda uma lápide em mármore, de forma rectangular, com a inscrição "GRATIDÃO / AO EXº COMMENDADOR / J. C. PAMPLONA / OS POVOS DO PORTO MARTINS / 1902". A igreja é de nave única separada da capela-mor por um arco triunfal de volta perfeita. Do lado do evangelho existe um púlpito e, sobre a entrada, um coro alto. A torre sineira, de planta quadrangular, tem os vãos com arcos de volta perfeita peraltados sobre impostas. É rematada por uma cornija encimada, nos ângulos, por pináculos. Tem uma cúpula em "barrete de clérigo". Todo o edifício é rebocado e pintado de branco, com excepção do soco (moldurado), das pilastras, da cornija e das molduras dos vãos que são em cantaria pintada de cinzento. As coberturas são de duas águas, em telha de aba e canudo, rematadas por beiral simples.
O império é um edifício de um piso com planta quadrangular. As fachadas são encimadas por uma platibanda que, na fachada principal, é sobrepujada por um frontão recortado. As fachadas, a platibanda e o frontão são rematados por cornija. Existem três vãos na fachada principal e dois em cada uma das laterais. As janelas (com guarda em ferro fundido) e a porta são rematadas em arco trilobado. O imóvel é rebocado e pintado de branco, com excepção dos cunhais (boleados), das pilastras, das cornijas, das molduras, dos aventais das janelas (almofadados), do escadório e dos elementos decorativos que são de pedra à vista.
A "despensa", com um piso e planta rectangular, é rebocada e pintada com excepção dos cunhais e das molduras (recortadas) que são em pedra à vista. A cobertura é de quatro águas em telha de meia-cana tradicional rematada por beiral duplo.
O chafariz é um corpo paralelepipédico vertical, encimado por uma cornija, colocado sobre o muro sudeste do largo. É constituído por uma moldura exterior em cantaria, preenchida com alvenaria de pedra rebocada e caiada pela parte da frente. Da parte da frente, junto ao chão, tem um tanque/bebedouro em cantaria e do lado de trás, escondido pelo muro, um tanque de lavar a roupa esculpido num único bloco de pedra. O alçado frontal inclui uma bica e uma lápide em mármore, de forma rectangular, inserida num pequeno florão, com a inscrição "OFERECIDO AO POVO DO LUGAR / PELO / VISCONDE DE PORTO MARTIM / AUTORIZADO PELA JUNTA GERAL / OUTUBRO DE 1905".
O "tourilho" consiste num recinto murado, rectangular alongado, com uma única porta de acesso, que servia, durante as festividades, de curral para gado bravo. Está a uma cota inferior à da estrada e encontra-se dividido em três parcelas. É construído em alvenaria de pedra seca e rematado com pedras argamassadas.
O edifício da casa do povo é constituído por dois corpos (anteriormente era uma habitação do tipo linear) de um só piso, com granel, adega, cisterna e forno de volume exterior de planta semicircular e "chaminé de mãos postas" com cornija. Os vãos são de verga curva, tendo a porta principal cornija sobre a verga. As janelas são de guilhotina de duas folhas. O imóvel é rebocado e caiado, com os cunhais, o soco, a cornija e as molduras dos vãos em cantaria. A cobertura é de duas águas em telha de meia-cana de produção industrial rematada com beiral simples sobre a cornija.
ELEMENTOS DATADOS: Inscrições na fachada principal da igreja: "1901" e "1902"; inscrições em cartelas no frontão do império e sobre a verga da porta da "despensa": "1902"; inscrição numa lápide no chafariz: "1905".
ESTADO DE CONSERVAÇÃO: Bom
FUNÇÃO INICIAL: Igreja, império do Espírito Santo, habitação e "tourilho"
FUNÇÃO ACTUAL: Igreja, império do Espírito Santo, casa do povo, habitação e "tourilho"
BIBLIOGRAFIA E DOCUMENTAÇÃO DE REFERÊNCIA: O Visconde de Porto Martim - Um Benemérito Açoriano no Brasil, Valdemar Mota, Instituto Açoriano de Cultura, Angra do Heroísmo, 1978; As Ermidas da Ilha Terceira, Padre Alfredo Lucas, Angra do Heroísmo, 1976; Freguesias da Praia, Pedro de Merelim, Vol.I, Direcção Regional de Orientação Pedagógica, Angra do Heroísmo, 1982; Fichas 1-C, 2-C, 3-C e 4-C do "Inventário do Património Histórico e Religioso para o Plano Director Municipal da Praia da Vitória".
OBSERVAÇÕES: O edifício da casa do povo conserva ainda na antiga adega um lagar.
De acordo com um rol publicado pelo Bispado de Angra, a Igreja de Santa Margarida ficou "danificada e impossibilitada de servir ao culto" em resultado dos estragos causados pelo sismo de 1 de Janeiro de 1980.
DATA DE LEVANTAMENTO: 1999-05-17




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Última actualização em 2007-03-14