Glossário
 

ALBARRADA
Motivo decorativo repetível, muito utilizado em silhares de azulejo dos séculos XVII e XVIII, constituído por um vaso de flores (a albarrada propriamente dita) que alterna frequentemente com balaústres, meninos, ou ornamentos combinados com golfinhos, aves e outros temas.

ALFARGE
Designa um género de decoração, alegadamente de origem islâmica, usado na Península Ibérica sobretudo no final da Idade Média. Aplica-se correntemente aos tetos, também chamados “mudéjares”, cuja estrutura de madeira aparente se combina com elementos com o mesmo perfil, mas puramente decorativos, entrelaçando-se de modo a formar figuras geométricas. Por isso se chama “carpintaria de laço” à técnica utilizada.

ATAFONA
Edificação de apoio à atividade rural, com dois pisos, cujo nome se deve ao engenho de moer cereais de tração animal – a atafona propriamente dita – que alberga no piso térreo. O piso superior era geralmente utilizado como palheiro. A designação mantém-se mesmo quando o engenho já desapareceu e ambos os pisos se destinam ao armazenamento de alfaias, produtos agrícolas e forragem para os animais.

BAGACINA
Rocha vulcânica finamente fragmentada e de baixa densidade que é utilizada nos Açores para pavimentos exteriores, em substituição da gravilha, tendo sido também utilizada como inerte em argamassas leves para a construção. Geologicamente é um piroclasto.

CAIXA DO LAR
Pequeno anexo ou excrescência paralelepipédica da cozinha onde se encontra o lar e por onde se acede ao forno. Abre-se para a cozinha através de um grande vão, por vezes em arco. O lar – banca ou poial onde se faz o lume e se confecionam os alimentos – está encostado a uma das paredes laterais e, na parede do fundo, abre-se a boca do forno. A chaminé, comum ao lar e ao forno, substitui a cobertura da caixa do lar que, deste modo, funciona toda ela como uma grande lareira.

CAIXA DO LAR/FUMEIRO
Caixa do lar de grandes dimensões, característica das casas abastadas de São Jorge. Não tem chaminé e, em contrapartida, tem as quatro paredes sobrelevadas em relação ao corpo da cozinha e cobertas por um telhado de duas águas, sem forro, através do qual se faz o escoamento dos fumos. Era usada também como verdadeiro fumeiro, como provam as estruturas de pendurar as carnes que prevalecem e o facto de, em raros casos, ainda serem usadas com esse fim.

CARNEIRO
Sepulcro ou ossuário, geralmente coletivo, constituído frequentemente por uma cavidade tipo cripta em cujas paredes há pequenas aberturas para guardar os ossos ou grandes aberturas para colocar os corpos.

CASA DE FRESCO
Estrutura existente nalgumas propriedades rurais que incluem uma vertente de recreio destinada a abrigo, mas sem que se perca o contacto com a vista ou com a natureza, nos dias de maior calor. Pode apresentar-se sob a forma de alpendre, mirante ou gruta artificial.

CASA DE TIPO ABARRACADO (OU CASA ABARRACADA)
O mesmo que casa de “empena/fachada”. Tipo de habitação com telhado de duas águas perpendiculares à fachada principal que, em consequência, toma a forma de uma empena onde se abrem as portas e janelas.

CHAMINÉ DE MÃOS POSTAS
Chaminé de grandes dimensões, constituída por um troço inferior paralelepipédico onde assenta um prisma triangular deitado cuja secção corresponde a um triângulo isósceles muito agudo. A saída dos fumos abre-se na aresta superior e, frequentemente, está protegida por uma fiada de telhas dispostas de forma a criar aberturas triangulares. Deve ser utilizada em São Jorge por influência da ilha Terceira, de onde é característica.

ESTILO NACIONAL
Designação utilizada para classificar os retábulos barrocos portugueses construídos no período que abrange, grosso modo, o último quartel do século XVII e o primeiro quartel do século XVIII, e cujo formulário plástico teria sido adaptado a um quadro estrutural de inspiração autóctone e origem românica. Nos Açores, os retábulos de “estilo nacional” terão começado a construir-se com um ligeiro atraso cronológico em relação ao Continente e persistiram até muito mais tarde, geralmente em versões ingénuas para pequenas capelas ou ermidas.

FAJÃ
Terra baixa e chã que tanto pode ter origem na solidificação de mantos de lavas que escorreram pelas encostas, apresentando assim uma típica inclinação para o mar, como no depósito de materiais provenientes do desmoronamento das arribas erodidas, sendo então geralmente rasa e pouco extensa (in AAVV, Arquitectura Popular dos Açores, 2.ª edição, Lisboa, Ordem dos Arquitectos, 2007, p. 558).

FALSA
Genericamente significa o mesmo que sótão, ou falso piso. Nalgumas ilhas corresponde a um piso habitacional tipicamente açoriano, resultante não só do aproveitamento do vão do telhado mas também do espaço correspondente à faixa superior das fachadas.

FRONTAL
Nome dado frequentemente, nos Açores, a uma parede divisória construída apenas em madeira.

FURNA
Cavidade natural resultante da atividade telúrica. Cavidade praticada pelo homem em terrenos que oferecem pouca resistência. Pequeno abrigo construído em pedra seca que aproveita um muro ou um socalco e que, pela dimensão e pela aparência tosca, se assemelha a uma cavidade natural ou escavada pelo homem.

GATEIRA
Pequena janela aberta numa das faces laterais das grandes chaminés e destinada à iluminação do lar.

LAR
Local da cozinha onde se acende o lume e se confecionam os alimentos. Na sua versão mais elementar, nos Açores, corresponde a uma simples bancada de pedra (poial). Nas versões mais elaboradas corresponde a um espaço bem delimitado no interior da cozinha (onde se encontra a referida bancada), ou forma mesmo um corpo saliente – a caixa do lar – ao qual estão acoplados o forno e a chaminé.

LOJA
Piso inferior de uma habitação, normalmente destinado a funções de armazenamento doméstico ou de apoio à atividade rural incluindo a guarda de alfaias e produtos agrícolas.

MAROIÇO
Acumulação ordenada de pedras resultante da limpeza dos terrenos destinados à agricultura. Aparece normalmente junto aos terrenos de biscoito propícios ao cultivo da vinha (in AAVV, Arquitectura Popular dos Açores, 2.ª edição, Lisboa, Ordem dos Arquitectos, 2007, p. 558).

NAMORADEIRAS
O mesmo que conversadeiras. Par de banquetas simétricas que ocupavam geralmente os ângulos dos vãos das janelas em habitações de qualidade dos séculos XVI ao XVIII, permitindo que duas pessoas se sentassem frente a frente. Foram utilizadas também em reentrâncias nas guardas de terraços e balcões dessas casas, em muros de jardins, e, já na Época Contemporânea, em muros e vedações de vias e espaços públicos.

PILOTIS
Nome dado aos pilares esbeltos, geralmente (mas não necessariamente) cilíndricos, construídos em betão armado e utilizados pela arquitetura do Movimento Moderno do século XX. A utilização do termo francês deve-se não só à dificuldade de tradução para outras línguas mas também por ser do especial agrado do arquiteto Le Corbusier, grande impulsionador do referido movimento.

PINÁZIOS/TAFIFES
Fasquias de madeira que sustentam e separam os vidros nas caixilharias de janelas e portas.

PLANO DOS CENTENÁRIOS
Programa de reequipamento e renovação do parque nacional de escolas primárias promovido pelo Estado Novo nos anos 1940, a propósito das comemorações dos centenários da fundação de Portugal e da Restauração de 1640, tendo-se estendido até aos anos 50. Incluía projetos-tipo conforme as regiões do país, com variantes de dimensões adaptáveis às necessidades do grupo populacional que pretendia servir.

PORTA DE CARRO
Porta larga, com dois batentes, que se abre no piso térreo de uma habitação, de uma atafona ou de um palheiro, destinada a permitir a entrada do carro de bois para a sua área de abrigo.

QUARTÉIS
Pequenas divisórias agrícolas, quadrangulares ou retangulares, formadas por muretes de pedra solta e destinadas ao cultivo da vinha abrigando-a dos ventos marítimos. Nalgumas ilhas são também designadas por currais de vinha ou curraletas.

SERLIANA
Vão triplo constituído por um arco de volta inteira apoiado em duas colunas, ou pilares, que definem a abertura central, separando-a das duas aberturas retangulares que a ladeiam em posição simétrica. A arquitrave de remate superior dos vãos laterais é concebida como um elemento contínuo que une os três vãos contornando o arco central. A designação advém do nome de um arquiteto e tratadista do Renascimento – Serlio – que foi o principal divulgador deste tipo de vão já usado na Antiguidade pelos romanos.

TANQUE
Nome dado em São Jorge às cisternas isoladas.

TEIA
Divisória tipo balaustrada usada nas igrejas para separar a assembleia do presbitério, as capelas da nave ou que, nas igrejas maiores, delimita totalmente a assembleia.

TORRE
Trapeira de grandes dimensões, total ou parcialmente construída em madeira, destinada a ampliar o volume do sótão. Geralmente atravessa toda a cobertura, da fachada ao tardoz, e possui telhado próprio de duas águas. As maiores chegam a parecer uma pequena casa de madeira construída sobre a edificação de alvenaria.

São Jorge. Velas
Inventário do Património Imóvel dos Açores