O Inventário do Património Imóvel do Concelho da Madalena
 

Jorge A. Paulus Bruno*

A Madalena foi o terceiro concelho dos Açores a ser objecto de inventariação quanto ao seu património construído, seguindo-se aos de São Roque e das Lajes. Com a sua concretização completa-se, assim, a trilogia dos concelhos da Ilha do Pico, aquela onde este projecto foi lançado. O facto da Madalena ter sido o terceiro a ser posto em prática não impede, porém, que seja considerado (à semelhança dos anteriores) ainda como um dos concelhos escolhidos para testar, e consequentemente ajustar, o modelo concebido para a realização deste projecto de inventariação do património imóvel açoriano.

Neste aspecto - tal como em relação aos anteriores -, se por um lado se pode considerar que este não foi privilegiado por uma experiência anterior mais vasta e sólida, por outro, é possível garantir que ele foi objecto de uma atenção especial, própria de uma ocasião em que é colocado todo um inexcedível rigor na observação de um modelo em teste.

Também neste concelho, o conhecimento seguro do terreno e a sua contida dimensão territorial e populacional - ainda que com área e população em dimensão e número substancialmente superiores aos outros - tornaram mais facilitada e confortável esta tarefa de aplicação e avaliação do desempenho no terreno deste modelo ao tempo recém-criado.

Nesta conformidade, a execução do Inventário do Património Imóvel do Concelho da Madalena decorreu entre os meses de Maio e Outubro de 1998. Uma parte substancial desse período foi ocupada na campanha de terreno (Maio e Junho) onde a respectiva equipa (João Pedro Abreu e Simão Minhós Martins) tomou contacto com a realidade do concelho, no âmbito do património construído, e procedeu ao seu consequente levantamento com base nos critérios estabelecidos.

Em simultâneo, foram desenvolvidas pesquisas bibliográficas e documentais relacionadas com o concelho. Como resultado, importa salientar três dossiês cuja informação, de elevado interesse, foi objecto de consultas detalhadas e frequentes: "Arquivo da Arquitectura Popular dos Açores", AAVV, A.A.P., 1993, "Inventário do Património Cultural Edificado do Plano Geral de Urbanização da Vila da Madalena", REGIURBE e PROMAN, 1993 e "Estudo de Salvaguarda do Património Natural e Edificado Característico da Cultura da Vinha da Ilha do Pico" (ESP) CONSULMAR e IMPACTE, 1994.

No início da campanha de terreno - e tendo em vista assegurar uma ampla divulgação e criar uma dinâmica cultural de sentido ascendente em torno deste projecto, procurando envolver a comunidade através da sua participação activa - realizou-se, no anfiteatro da Escola Secundária Geral e Básica Cardeal Costa Nunes, uma sessão pública de apresentação e discussão do projecto, pelo coordenador, na qual esteve presente e participou interessadamente, para além de diversos munícipes, uma parte significativa dos representantes das principais instituições públicas e privadas do concelho. Ainda nessa ocasião e nesse local foi também apresentada uma exposição sobre a Arquitectura Popular dos Açores, concebida e realizada pela então Associação dos Arquitectos Portugueses.

Como resultado destas acções, deve sublinhar-se o considerável número não só de instituições públicas e privadas, como também dos mais anónimos aos mais destacados munícipes que, sempre prontamente, se disponibilizaram para prestar qualquer colaboração solicitada. Entre eles é justo salientar a Câmara Municipal da Madalena, na pessoa do seu presidente, Jorge Manuel Pereira Rodrigues, os presidentes das seis juntas de freguesia do concelho e o investigador Tomaz Duarte Junior.

O apoio e colaboração, traduzidos desde a cedência de apreciados recursos logísticos até à mais elementar informação, contribuíram determinantemente para a concretização deste projecto.

Concluída a campanha de terreno nos inícios do mês de Junho, a respectiva equipa, agora acompanhada pelo coordenador e pela equipa de consultores (João Vieira Caldas, José Manuel Fernandes e Rui de Sousa Martins), regressa ao terreno na segunda quinzena de Julho. O objectivo nesta ocasião foi acompanhar a equipa de consultores que procedeu à análise, avalização e - sempre que necessário - correcção do trabalho já realizado, decidindo sobre as espécies imóveis que ficariam inventariadas.

Entretanto, entre estas duas deslocações ao terreno, no dia 9 de Julho, pelas cinco horas e dezanove minutos, ocorre um violento sismo (magnitude 6, intensidade VII - Valverde) que provoca graves destruições no tecido edificado deste concelho, com especial incidência em algumas zonas das freguesias situadas a oeste. Isto significa que uma parte considerável das espécies que tinham sido seleccionadas para inventariação se encontrava agora total ou parcialmente destruída. Todavia, porque é na data do levantamento que são aferidas as suas qualidades face aos critérios de inventariação, nenhuma delas deixou de ver confirmada a sua inventariação pelo facto de estar destruída pelo sismo. Porém, resolveu assinalar-se nas observações da ficha, entre parênteses rectos, nos casos que o justificaram, uma referência ao efeito de destruição provocado pelo sismo.

Resultaram, assim, cento e trinta e uma espécies inventariadas - a que correspondem mais de oitocentas e trinta imagens, entre diapositivos, fotografias a preto e branco, esquissos, desenhos e plantas - no âmbito das quais se salienta a predominância do grupo tipológico correspondente à arquitectura doméstica, logo seguido dos conjuntos edificados e das construções utilitárias (infra-estruturas de apoio à actividade rural), quer umas quer outras, sobretudo, construídas durante o século XIX.

*Coordenador do Projecto do Inventário do Património Imóvel dos Açores

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Última actualização em 2006-03-09