O Inventário do Património Imóvel do Concelho das Lajes
 

Jorge A. Paulus Bruno*

O Concelho das Lajes foi o segundo da Ilha do Pico a ser objecto de inventariação do seu património construído no âmbito deste projecto, seguindo-se ao do Concelho de São Roque. Este facto, porém, não impede que se considere este concelho (assim como o Concelho da Madalena, que se lhe seguiu) ainda como escolhido para testar, e consequentemente ajustar, o modelo concebido para a realização deste projecto.

Neste aspecto diremos novamente o que já dissemos em relação ao Concelho de São Roque. Se por um lado se pode considerar este concelho não ter sido privilegiado por uma experiência anterior mais vasta, é, por outro, possível garantir que ele foi objecto de uma atenção especial, própria de uma ocasião em que é colocada toda uma inexcedível atenção e rigor na observação de um modelo em teste.

Também aqui o conhecimento seguro do terreno e a sua contida dimensão territorial e populacional tornaram mais facilitada e confortável esta delicada tarefa de aplicação e avaliação do desempenho no terreno deste modelo recém-criado.

Nesta conformidade, a execução do Inventário do Património Imóvel das Lajes do Pico teve lugar entre os meses de Março e Maio de 1998. Uma parte substancial deste período foi ocupado na campanha de terreno, onde a respectiva equipa (João Pedro Abreu e Simão Minhós Martins) tomou contacto com a realidade do concelho, no âmbito do seu património construído, e procedeu ao consequente levantamento com base nos critérios estabelecidos.

Ao mesmo tempo, foram desenvolvidas pesquisas bibliográficas e documentais relacionadas com o concelho. Como resultado importa salientar dois dos dossiers ao tempo disponíveis, cuja informação, de elevado interesse, foi objecto de consultas detalhadas e frequentes: "Arquivo da Arquitectura Popular dos Açores", AAVV, A.A.P., 1993 e "Inventário do Património Edificado do Plano Geral de Urbanização da Vila das Lajes", REGIURBE e PROMAN, 1993.

No início da campanha de terreno - e tendo em vista assegurar uma ampla divulgação e criar uma dinâmica cultural de sentido ascendente em torno do projecto, procurando envolver a comunidade através da sua participação activa - realizou-se, no Auditório Municipal, uma sessão pública de apresentação e discussão do projecto pelo coordenador, na qual esteve presente e participou interessadamente, para além de diversos munícipes, uma parte significativa dos representantes das principais instituições públicas e privadas do concelho. Ainda nessa ocasião e nesse local foi apresentada uma exposição sobre a Arquitectura Popular dos Açores, concebida e realizada pela então Associação dos Arquitectos Portugueses.

Em simultâneo, foi enviado a todas as residências um mailing com um folheto informativo sobre o projecto, destinado a sensibilizar a população em geral para a execução do inventário do património imóvel do seu concelho.

Como resultado destas acções deve sublinhar-se o considerável número não só de instituições públicas e privadas, como também dos mais anónimos aos mais destacados munícipes que, sempre prontamente, se disponibilizaram para prestar qualquer colaboração solicitada. Entre eles devem salientar-se a Câmara Municipal das Lajes do Pico, nas pessoas do seu presidente, Engº Cláudio José Gomes Lopes, e da vereadora Sara Maria Alves da Rosa Santos Pereira, os presidentes das diversas juntas de freguesia do concelho e o investigador Ermelindo dos Santos Machado Ávila. O seu apoio e colaboração, traduzido desde a cedência de apreciados recursos logísticos até à mais elementar informação, contribuiu determinantemente para a concretização deste projecto.

Coincidindo com a conclusão dos trabalhos no terreno, deslocaram-se ao concelho o coordenador e parte da equipa de consultores (João Vieira Caldas e Rui de Sousa Martins) que, em conjunto com a equipa do terreno e percorrendo todas as localidades, analisaram, avaliaram e, sempre que necessário, corrigiram o trabalho já realizado decidindo sobre as espécies imóveis que ficariam inventariadas.

Resultaram, assim, cento e dezanove espécies inventariadas - a que correspondem cerca de setecentas imagens, entre diapositivos, fotografias a preto e branco, esquissos, desenhos e plantas - no âmbito das quais se salienta uma clara predominância da arquitectura de habitação ou doméstica, logo seguida pelas construções utilitárias (infra-estruturas de produção agrária), sobretudo construídas, quer uma quer outras, durante o passado século.

*Coordenador do Projecto do Inventário do Património Imóvel dos Açores

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Última actualização em 2006-03-09