Glossário
 

BuRRA De Milho
Armação de troncos ou varas de madeira, de forma piramidal ou prismática, destinada a sequeiro e armazenamento das socas de milho (maçarocas).

CAfuA
Construção rudimentar em alvenaria de pedra (no contexto da Graciosa) destinada à guarda provisória de alfaias e ao abrigo ocasional dos trabalhadores agrícolas.

ChAMinÉ De MÃoS-PoStAS
Grande chaminé com a secção vertical em forma de trapézio isósceles muito agudo, frequentemente com um pequeno remate de secção triangular. Parece resultar da evolução da antiga chaminé da Graciosa com a secção trapezoidal quase rectangular e mais atarracada, possivelmente sob influência da chaminé de mãos-postas da Ilha Terceira.

CiPo
Pequeno paralelepípedo ou troço de pilar, geralmente em pedra, destinado a servir de marco ou a receber inscrições comemorativas.

CoRDÃo
Toro saliente no paramento exterior da muralha de uma fortaleza abaluartada que acentua a linha de separação entre a parte inferior inclinada (em talude) e o parapeito vertical onde se abrem as canhoneiras.

CuRRAletAS

Reticulado de pequenas divisórias agrícolas formadas por muros de pedra solta e destinadas ao cultivo da vinha.

DeSPenSA
Construção complementar do império onde se prepara e/ou distribui as refeições do “bodo” nas festas do Espírito Santo. No resto do ano serve de arrumo.

eStilo nACionAl
Designação utilizada para classificar os retábulos barrocos construídos no período que abrange, grosso modo, o último quartel do século XVII e o primeiro quartel do século XVIII e que, supostamente, adaptariam as novas formas a um quadro estrutural de inspiração autóctone.

fAlSA
O mesmo que sótão. Piso baixo situado geralmente sobre o piso principal de uma casa de habitação. No contexto açoriano corresponde frequentemente a um aproveitamento não só do vão do telhado mas também da faixa superior da fachada. Pode ocupar toda a área do corpo principal da habitação ou só uma parte, podendo então funcionar como mezanino. Serve frequentemente de espaço para dormir e é denunciado no exterior pelas janelinhas implantadas junto ao beiral.

gAteiRA
Trapeira (janela elevada sobre o telhado) baixa e larga com uma frente triangular.

gRAnel
Edifício de apoio à actividade agrícola, construtiva e funcionalmente variável, que serve normalmente de celeiro e/ou sequeiro e/ou armazém. Em contexto urbano chega a atingir grandes dimensões e a ter a complexidade de um “entreposto”, integrando-se na frente de rua como se fosse uma habitação.

iMPÉRio
Pequena construção semelhante a uma ermida (embora, geralmente, com uma fachada mais extravagante) destinada ao culto do Espírito Santo. Está frequentemente associada a uma despensa.

lAgAR
Nome dado vulgarmente à dependência em que se encontra (ou encontrava) a alfaia com essa designação, mesmo quando assume prioritariamente a função de adega.

lAR
Local da cozinha onde se acende o lume e se confeccionam os alimentos. Na sua versão mais elementar, nos Açores, corresponde a uma simples bancada de pedra (poial). Nas versões mais elaboradas corresponde a um espaço bem delimitado no interior da cozinha (onde se encontra a referida bancada), ou forma mesmo um corpo saliente a caixa do lar ao qual estão acoplados o forno e a chaminé.

loJA
Compartimento do piso térreo de uma habitação, normalmente destinado a funções de armazenamento genérico ou de apoio à actividade rural incluindo a guarda de alfaias e produtos agrícolas.

JAnelinhA De fAlSA
Pequena janela situada logo abaixo do beiral e destinada à iluminação da falsa.

JAnelinhA Do lAR
Pequena janela aberta na parede lateral da chaminé, ou no volume saliente em que esta se insere – a caixa do lar –, destinada à iluminação da bancada onde se cozinha.

Meio DA CASA
Compartimento polivalente que, nas habitações mais rudimentares (frequentemente com três compartimentos dispostos em linha), fica situado entre a cozinha e o quarto e serve de sala de entrada.

nAMoRADeiRAS
O mesmo que conversadeiras. Par de banquetas simétricas que ocupavam geralmente os ângulos dos vãos das janelas em habitações de qualidade dos séculos XVI ao XVIII, permitindo que duas pessoas se sentassem frente a frente. Foram utilizadas também em reentrâncias nas guardas de terraços e balcões dessas casas, em muros de jardins e, já na Época Contemporânea, em muros e vedações de vias e espaços públicos.

PoÇo
Designação frequentemente atribuída, na Graciosa, aos grandes tanques de formas variadas (mas geralmente irregulares) destinados à recolha e armazenamento de água.

RABo Do Moinho
Conjunto de três varas ou troncos ligados a diferentes pontos da cúpula giratória de um moinho e unidos entre si junto ao respectivo embasamento. É usado como leme para a orientação das velas e como elemento de amarração quando se quer fixar a posição escolhida.

SÓtÃo
Genericamente é o mesmo que falsa, termo que, no contexto açoriano, pode designar também um tipo de sótão próprio das casas mais simples, constituído por um piso muito baixo resultante não só do aproveitamento do vão do telhado mas também do espaço correspondente à faixa superior da fachada. Por vezes ocupa apenas uma parte da área total da casa, como um mezanino. É acessível a partir do interior por uma escada rudimentar, ou mesmo amovível, de madeira.

SuMiDouRo
Sarjeta. Simples abertura ou estrutura mais complexa destinada ao escoamento das águas pluviais ou das águas estagnadas nos terrenos.

toRRinhA

Trapeira. Janela vertical elevada sobre o telhado incluindo as paredes e a cobertura individualizada que permitem utilizá-la. Em algumas ilhas dos Açores chama-se torrinha a todas as estruturas em forma de trapeira mesmo que tenham a dimensão de um torreão ou correspondam a uma elevação contínua do sótão.
Graciosa. Santa Cruz
Inventário do Património Imóvel dos Açores