41.2.1 ERMIDA DE NOSSA SENHORA DA VITÓRIA
GUADALUPE • BEIRA-MAR DA VITÓRIA
EDIFÍCIO ISOLADO
ARQUITECTURA RELIGIOSA
ÉPOCA DE CONSTRUÇÃO INICIAL: SÉC.XVII/SÉC.XVIII
DESCRIÇÃO: Ermida de nave única situada no meio de um adro murado, num terreiro junto à estrada. É composta pelo corpo da nave, anormalmente extenso porque inclui o volume da capela-mor, e pelo corpo da sacristia que encosta à fachada lateral esquerda, junto à capela-mor.
A fachada principal, delimitada pelo soco, pelos cunhais e por uma cornija que acompanha a inclinação das águas da cobertura, tem uma porta simples encimada por uma janela de guilhotina, com avental aparente, cujas ombreiras se prolongam até à cornija. Sobre o vértice da fachada há uma cruz assente num plinto quadrangular. Sobre a fachada lateral direita, logo atrás do cunhal, assenta um campanário, já sem sino, rematado por uma cornija. O respectivo arco é de volta inteira, peraltado, assente em impostas.
No interior, sobre a entrada axial, situa-se um coro alto acessível por uma escada de madeira e protegido por uma guarda de balaústres também em madeira. Junto à porta lateral do lado do evangelho encontra-se uma pia de água benta. Do lado da epístola, junto ao arco triunfal, há outra porta de comunicação com o exterior, ao lado direito da qual se situa outra pia de água benta. O arco triunfal é de volta inteira, assente em impostas, com base e plinto salientes. A capela-mor é da mesma largura da nave e apresenta um retábulo ingénuo, em madeira, na parede do fundo. O acesso à sacristia faz-se pela capela-mor, através de uma porta do lado do evangelho. Na bandeira da porta da sacristia há um painel de madeira com a inscrição: "NO ANO DE 1623 EM 19 DE MAIO, ANCORARAM / EM AFONSO PORTO 3 FRAGATAS, OS PIRATAS DESEM- / BARCARAM E HOUVE ALGUNS REFRENS ENTRE OS PIRATAS / E OS DA ILHA LEVANDO AQUELES CONSIGO JUNTAMENTE UM / CAPITÃO GOVERNANTE DESTA ILHA FOI RESGATADO EM ARGEL, / DEPOIS FOI PARA LISBOA LÁ PEDIO ESMOLAS E MANDOU FAZER N.SA / SENHORA DA VITÓRIA QUE ESTÁ NESTA IRMIDA. NELA VIVEU E MORREU / COMO IRMITÃO ESSE CAPITÃO.". No interior da sacristia há um pequeno nicho com uma pia de água benta, encimado por uma cruz em relevo.
O edifício é construído em alvenaria de pedra rebocada e caiada, excepto o soco, os cunhais, as molduras dos vãos, o avental da janela da fachada principal e a faixa sob a cornija que são em cantaria pintada de cinzento (as molduras dos vãos e as faces dos cunhais na fachada lateral direita têm juntas artificiais pintadas de branco). O arco triunfal é em cantaria escaiolada. O tecto da nave é de três esteiras, em madeira, com tirantes, também em madeira, ao nível do arranque. O tecto da capela-mor é em madeira, de duas esteiras, cuja estrutura de tesoura simula três esteiras. O ambiente interno da ermida fica prejudicado pelos pavimentos em pedra serrada da nave e da sacristia.
A cobertura é de duas águas, em telha de meia-cana tradicional, rematada por beiral simples sobre um lintel recente. A cumeeira é caiada. O pavimento fronteiro à fachada principal tem uma faixa em calçada "à portuguesa" com as inscrições: "NSV" e "M". O pavimento fronteiro à porta lateral da nave é do mesmo material mas apresenta apenas uma cruz. A restante superfície do adro tem um pavimento cimentado pouco compatível com o ambiente envolvente da ermida.
 
ESTADO DE CONSERVAÇÃO: Bom
FUNÇÃO INICIAL: Ermida
FUNÇÃO ACTUAL: Ermida
BIBLIOGRAFIA E DOCUMENTAÇÃO DE REFERÊNCIA: Igrejas e Ermidas da Graciosa, Vital Cordeiro Dias Pereira, Secretaria Regional da Educação e Cultura / Direcção Regional dos Assuntos Culturais, Angra do Heroísmo, 1986.
DATA DE LEVANTAMENTO: 2004/06/23




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mapa: 2
Graciosa. Santa Cruz
Inventário do Património Imóvel dos Açores