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| 81.16.23 IGREJA DE NOSSA SENHORA DE LURDES |
| SANTA CRUZ • RUA MONSENHOR HENRIQUE AUGUSTO RIBEIRO, FAZENDA DE SANTA CRUZ |
| EDIFÍCIO ISOLADO |
| ARQUITECTURA RELIGIOSA |
| ÉPOCA DE CONSTRUÇÃO INICIAL: SÉC.XX |
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DESCRIÇÃO: Igreja de nave única envolvida por um adro rectangular nivelado
e murado. Está implantada numa pequena elevação relativamente isolada,
assumindo uma presença predominante na paisagem.
O edifício é composto pelo corpo rectangular da nave, pelo corpo mais
estreito da capela-mor, por duas torres sineiras e por duas sacristias situadas
em ambos os lados da capela-mor.
A fachada principal é enquadrada pelas duas torres sineiras e está dividida
em dois níveis rematados por cornijas que contornam as torres. O nível inferior
é composto por uma porta central ladeada por duas janelas. Em cada torre
também há uma janela neste nível. Cada um destes cinco vãos corresponde
a uma janela ao nível do coro alto. Todos os vãos têm lintel duplo (ou lintel
e friso boleado) e são rematados por uma cornija. A porta e a janela axiais
são encimadas por frontões triangulares. Sobre cada janela do segundo nível
há uma cartela, tendo a da esquerda a inscrição ”AM” (com as letras sobrepostas)
e a da direita a inscrição ”I.H.S.”. A cartela central, intersectada pelo
frontão da janela, não tem inscrição. Sobre a cornija de remate superior
assenta um frontão mistilíneo, com dois segmentos rectos, a meia altura, onde
assentam pináculos. É rematado por uma cruz de ferro. No centro do tímpano
há uma cartela circular com a inscrição ”NOSSA SENHORA / DE / LOURDES
/ 1909”.
Cada torre sineira tem um terceiro nível correspondente ao campanário, onde
cada face tem um vão de sino rematado em arco de volta inteira peraltado,
assente em impostas, cujas ombreiras se prolongam até à cornija inferior. As
torres são rematadas superiormente por faixa, cornija e platibanda com um
pináculo em cada canto. São cobertas por coruchéis octogonais rematados
por pináculos.
As portas das fachadas laterais, de acesso à nave, têm lintel duplo e são rematadas
por frontões triangulares. Na fachada lateral da torre do lado direito
há uma porta de acesso à escada situada no seu interior. As portas exteriores
das sacristias, as portas laterais da nave e a porta exterior da torre direita são
acessíveis por conjuntos de cinco degraus.
Na fachada posterior da capela-mor há uma pequena porta encimada por um
óculo circular. Junto ao vértice desta fachada há uma cartela rectangular com
a data “1913” inscrita.
O acesso à porta principal faz-se por uma escadaria semicircular. No interior,
a entrada é protegida por um guarda vento em madeira. De cada lado da
entrada há uma janela que contribui para a grande luminosidade interna. No
início da parede interna do lado do evangelho há um vão rematado em arco
de volta inteira com pés-direitos apilastrados que dá acesso ao antigo baptistério.
Este compartimento situa-se no piso térreo da torre e tem uma cobertura em
abóbada de berço em cantaria delimitada por uma cornija. Tem uma janela
do lado da fachada principal e, na parede oposta, um nicho rematado em
arco de volta inteira.
Em posição simétrica, do lado da epístola, há uma porta de acesso à torre cuja
escada dá também acesso ao coro. Esta porta tem uma cornija onde assenta
um arco de volta inteira embutido na parede, cujo fecho, igual ao do arco
do baptistério, é saliente e encimado por um elemento decorativo de contorno
circular apoiado em pequenos enrolamentos.
O coro alto está situado sobre o guarda vento e é suportado por dois pilaretes
embebidos na estrutura do guarda vento e por seis mísulas, duas em
cada parede. É de madeira e está protegido por uma balaustrada também
de madeira.
Nas paredes laterais há quatro janelas altas de cada lado, as segundas das
quais estão na vertical das portas de comunicação com o exterior.
Na parede do lado do evangelho, do lado esquerdo da porta lateral, há uma
lápide com a inscrição ”HOMENAGEM DE GRATIDÃO / AO FUNDADOR
DESTA IGREJA / MONSENHOR / HENRIQUE AUGUSTO / RIBEIRO /
11-2-1989”. Do lado direito há um púlpito com a consola em forma de grande
mísula, em cantaria, com decoração em relevo. A guarda é de balaústres em
madeira. O acesso ao púlpito faz-se por uma escada, também em madeira,
adossada à parede da nave, que arranca do degrau do presbitério.
O arco triunfal é rematado em arco de volta inteira e os pés-direitos, apilastrados,
estão apoiados em pedestais assentes no degrau de acesso à capela-mor. Na capela-mor há uma porta de cada lado, para acesso às sacristias,
rematada em arco de volta inteira. A meio da capela-mor o pavimento é elevado
por mais três degraus para aceder a um altar encostado a um retábulo
revivalista de inspiração neoclássica. Em ambas as paredes laterais, sobre a
zona elevada, há duas janelas rematadas em arco de volta inteira: uma, mais
larga, que comunica com a sacristia, outra, mais estreita, que abre para o
exterior. As sacristias têm dois pisos. Na sacristia do lado do evangelho há
um alçapão no pavimento que dá acesso a uma gruta, situada por baixo da
capela-mor, onde há uma nascente de água.
A cobertura da nave é em madeira, simulando uma abóbada de berço
delimitada por cornijas. A cobertura da capela-mor, rebocada e pintada de
branco, também delimitada por cornijas, parece ser uma abóbada de berço
genuína.
O edifício é construído em alvenaria de pedra rebocada e pintada de branco,
excepto o soco, os cunhais, as cornijas, as molduras dos vãos, as faixas, as pilastras, as platibandas, os pináculos, as cartelas, o arco triunfal e a mísula
que suporta o púlpito que são em cantaria à vista. As coberturas, escondidas
por platibandas rematadas por cornijas, são em telha marselha, sendo de duas
águas na nave e na capela-mor e de uma só água nas sacristias. |
| ELEMENTOS DATADOS: Cartela no frontão da fachada principal com a data”1909” inscrita; cartela na fachada posterior da capela-mor com a data
”1913” inscrita. |
| ESTADO DE CONSERVAÇÃO: Bom |
| FUNÇÃO INICIAL: Igreja |
| FUNÇÃO ACTUAL: Igreja paroquial |
| BIBLIOGRAFIA E DOCUMENTAÇÃO DE REFERÊNCIA: A ilha das Flores: Da
redescoberta à actualidade (Subsídios para a sua História), Francisco António
Nunes Pimentel Gomes, Câmara Municipal de Lajes das Flores, 1997; Concelho
de Santa Cruz das Flores: Roteiro Histórico e Pedestre, Pierluigi Bragaglia,
Câmara Municipal de Santa Cruz das Flores, 1999; ”Santa Cruz e as
suas igrejas, convento e ermidas”, in O Monchique, suplemento da edição
nº 6, 21 de Maio de 1998, págs. 2 a 4; “Santa Cruz das Flores – A Fronteira
Ocidental da Europa. 455 anos de História”, suplemento do jornal Expresso
das Nove de 20 de Junho de 2003; Ficha 65/Flores do ”Arquivo da Arquitectura
Popular dos Açores”. |
| DATA DE LEVANTAMENTO: 2003-09-26 |
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