Breve esboço sobre a história do Faial
 
Ricardo Manuel Madruga da Costa*

Sobre os primórdios

O Faial emerge da nebulosidade do Atlântico para tomar lugar na história como o próprio arquipélago dos Açores; rodeado de lenda ou envolto nas controvérsias do longo debate da precedência portuguesa e do achamento trecentista destas ilhas ou até em era mais remota - que os estudiosos ainda não deram por esgotado. O certo é que a historiografia mais actualizada dá crédito à carta de Gabriel Valseca na qual a fidelidade da representação e da localização das ilhas abona em favor dos demais elementos que nela se representam, entre os quais a data da descoberta dos Açores em 1427 por um piloto do Infante, de nome Diogo de Silves. Quanto ao Faial, não é absurdo que a sua descoberta, conjuntamente com as demais do grupo central, tenha tido lugar alguns anos mais tarde, já no declinar da década de 30.

Semelhantemente, no que toca aos pioneiros na aventura do povoamento - interessados, quiçá, na busca de riquezas imaginadas, mais do que na ordeira tarefa de arrotear a terra bravia - o enigma persiste. Quanto à data em que o mandado do Infante se torna eficaz, lançando nas ilhas gados que haveriam de suportar a vida e ajudar no trabalho, é seguro balizar-se a iniciativa pelo ano de 1439, data do mais antigo documento que ao arquipélago se refere. Porém, admitindo-se que a progressão da descoberta tenha ocorrido paulatinamente e face à natural dificuldade no recrutamento de gente capaz de se afoitar em empresa tão cheia de perigos e dificuldades, é bem provável que o povoamento tenha seguido idêntico ritmo.

Quanto ao Faial, os autores parecem apontar unanimemente para finais da década de 60, já que a carta que outorga a capitania da ilha ao flamengo Josse Van Hurtere, data de 21 de Fevereiro de 1468.

Apesar de uma ideia insistentemente propalada por vários autores que ao passado faialense dedicaram o seu labor, apontando para uma forte influência no povoamento de flamengos sob a liderança do primeiro capitão do donatário, tem-se hoje como tese mais plausível quanto à génese das comunidades humanas que na ilha se foram estabelecendo, a da predominância de gente oriunda do centro e Norte de Portugal, sem exclusão de gentes do Sul. Enquadrados por nobres de segunda linha, os primeiros povoadores seriam gente simples e rude que a necessidade ou a ambição empurrou para estas paragens Atlânticas. Muitos deles, talvez, cumprindo degredo ou buscando na lonjura e na segurança que a imensidão do oceano proporcionava, o refúgio contra a exclusão e a precariedade a que as minorias se encontravam sujeitas. Foi desta cepa, muito provavelmente, que a trama genealógica se foi elaborando e dando forma e alento a uma nova gente dotada de um carácter temperado pelo trabalho, pela adversidade e, também, pela esperança que uma arreigada fé no Espírito Santo jamais deixou de fortalecer. Afinal, um povo recriado no isolamento e a que a força de uma natureza vigorosa, e, por vezes, violenta, imprimiu marcas indeléveis.

Dos Homens e do seu número

Independentemente destes traços, um tanto contrastantes, da génese da sociedade que se fixou no ilha do Faial, a sua estruturação configura o modelo da sociedade portuguesa do Antigo Regime, ou seja, da tripartição dos grupos sociais, ainda que as vicissitudes e condicionantes inerentes à formação de uma comunidade humana no novo contexto em que se insere e ao qual tem de se adaptar, determine uma menor rigidez e uma maior mobilidade entre os vários grupos.

No tocante à sua quantificação, a população faialense, em finais do século XVI rondará umas 4.000 pessoas num conjunto de 65.000 habitantes para todo o arquipélago, evoluindo para números que alcançam as 13.000 almas um século mais tarde. O Faial assume, deste modo, um peso crescente na distribuição da população das ilhas, alterando a sua posição naquele intervalo de tempo, de uns reduzidos 6% para 13%. Enquanto que em finais do século XVIII a população já tem uma expressão mais significativa, por contraste com os dados anteriores, situando-se nos 17.000 habitantes, chegamos a 1820 com um efectivo demográfico que ultrapassa os 21.000 habitantes. Esta realidade traduz um crescimento bastante acentuado dando lugar a uma das mais elevadas densidades populacionais dos Açores. Apesar das renovadas censuras dos governantes açorianos contra a frequente emigração que se verifica, incentivada sobretudo para o Sul do Brasil, desde meados de Setecentos, comprometendo o cultivo das terras, os dados demográficos apresentados parecem contrariar a ideia de desertificação das ilhas que, por vezes, parece ressaltar da documentação.

O município da Horta e a administração civil e militar

Em obediência ao modelo administrativo que a coroa adoptou para o arquipélago, o Faial constituiu uma capitania sob a administração vitalícia e hereditária de um capitão do donatário. O primeiro, como ficou dito, foi o fidalgo flamengo Josse Van Hurtere. Do seu nome deriva, por certo, o nome Horta que o principal núcleo urbano da ilha adoptou.

Na linha da tradição portuguesa, como forma privilegiada de organização orientada para a defesa dos interesses das populações e dimensionada de acordo com imperativos de ordem prática, surgiram em todas as ilhas municípios como estruturas periféricas autónomas, quer em relação à coroa quer relativamente aos capitães dos donatários. Em que data se constitui o único município faialense e quando ganha a Horta o seu estatuto de vila e sede da governança, é mais uma questão a juntar ao rol das incertezas, como são a descoberta e o início do povoamento. Tendo em conta a presumível lentidão do processo de fixação e organização das populações, não custa aceitar a versão mais divulgada de que o município da Horta terá surgido nos anos derradeiros de Quatrocentos por mercê de D. Manuel I, o mesmo acontecendo com a elevação do burgo faialense à dignidade de vila. É igualmente no âmbito das reformas deste monarca que, em 1503, se institucionaliza a corregedoria dos Açores, reforçando a intervenção do poder régio no arquipélago como forma de moderar os poderes locais. Ao longo dos séculos, várias foram as correições que o município faialense acolheu, ferindo, naturalmente, as prerrogativas das elites dedicadas à governança local e delapidando, em parte não desprezível, o erário camarário obrigado a suportar os gastos indesejáveis da aposentadoria.

Com a reforma pombalina de Agosto de 1766 e a criação da Capitania-Geral dos Açores, o Faial ficará sujeito ao corregedor de Angra. Afinal, substituindo a autoridade dos capitães do donatário, - mesmo que despótica, mas presente e próxima - contrapunha-se agora a figura majestática do Governador e Capitão-General dos Açores, ausente em Angra elevada a capital, interpondo um elo mais na já difícil relação dos poderes da periferia com a coroa. A criação da figura do Governador-Militar das ilhas do Faial e Pico em 1796, não só não vem suprir carências que a ilha pudesse experimentar, como tornará mais complexo o curso normal da administração, suscitando permanentes conflitos ao pretender sobrepor-se à jurisdição do juiz de fora, quer na condição de magistrado de justiça quer enquanto detentor do cargo de presidente da edilidade.

No plano militar, a defesa da ilha caberá às antigas Ordenanças estruturadas no âmbito da autoridade municipal e sob o comando superior de um capitão-mor. No reinado de D. Maria I, além dos corpos de ordenanças constituídos em cada freguesia, criam-se as milícias como corpos militares mais bem preparados e integrados, alargando a uma grande parte da população activa a prestação de obrigações militares. A par das ilhas de S. Miguel e Terceira, o Faial dispõe de um pequeno corpo de tropa pago aquartelado no castelo de Santa Cruz, onde fica instalado o governador militar que é, ao mesmo tempo, governador do castelo. Não obstante uma militarização tão generalizada da sociedade, que perdurará ao longo do Antigo Regime, o Faial revela uma permanente insuficiência quanto à defesa das suas costas, já que o número de armas de fogo é diminuto e o estado de ruína dos fortes impede qualquer eficácia numa eventual situação de ataque. As incursões de Cumberland e Essex em finais do século XVI, em consequência do domínio filipino que a partir de 1580 atrai contra nós os inimigos de Espanha; as insistentes manifestações de receio das autoridades perante a eventualidade dos ataques da França napoleónica durante todo o período que decorre entre a Campanha do Rossilhão e a paz de Viena, e, por fim, o episódio do corsário "General Armstrong" ocorrido na baía da Horta em 1814, já no ocaso do conflito que opunha a Grã-Bretanha e os Estados Unidos da América, comprovam a vulnerabilidade da defesa da ilha do Faial. Era, afinal, o sintoma de uma situação de negligência generalizável a todo o arquipélago e que, não obstante o reconhecimento da sua valia estratégica em que o Faial avulta de forma crescente - parecia não concitar o zelo da coroa e motivar o desvio de uma pequena parte das rendas reais geradas nas ilhas para uma finalidade que, em última análise, tinha a ver com a própria preservação da soberania e da dignidade da imagem do monarca.

Aspectos gerais sobre a economia

Em consonância com os desígnios da coroa, o Faial insere-se no quadro económico traçado para as ilhas açorianas. Apesar da sua reduzida dimensão, a ilha dispunha de condições de clima e de solo adequadas a uma prática agrícola orientada para produções capazes de assegurarem a subsistência dos seus habitantes, e, ao mesmo tempo, de garantir excedentes exportáveis para suprir carências sentidas pelo reino ou para corresponder a uma procura externa propiciadora de trocas, nomeadamente por manufacturas e géneros de maior necessidade para a população da ilha. O pastel - a que não será alheia a presença da gente da Flandres - os cereais e o linho contam-se entre as culturas que a ilha desde cedo desenvolve, embora, no que respeita aos cereais, os anos de prosperidade se intercalem com períodos de escassez e de crise. Com o correr do tempo, a par do declínio do pastel no século XVII, vamos assistir a uma gradual insuficiência na produção de grãos frumentários que os compromissos de abastecimento às populações da zona fronteira da ilha do Pico, mais agrava. Na transição do século XVIII para o século XIX, a cultura da laranja alcança expressão com interesse assinalável, alimentando um pequeno fluxo de comércio, sobretudo para os Estados Unidos da América. Todavia, a ocorrência de pragas afectando todo o arquipélago, destruiu os pomares tornando insignificante a sua produção a partir de meados de Oitocentos.

A criação de gado ocupa lugar relevante na exploração económica da ilha, até pelo seu concurso no trabalho dos campos e respectiva fertilização. Não menos importante é a manutenção de uma reserva de gado para acorrer à frequente satisfação das necessidades da navegação em escala de refresco pela baía da Horta.

Associada à excelência das condições de abrigo do porto faialense e à situação de que desfruta na confluência das rotas que cruzam o Atlântico, o Faial ocupa, com visibilidade crescente, posição de relevo no trato do comércio internacional graças à sua proximidade da ilha do Pico e as insuperáveis dificuldades que esta ilha experimenta para escoamento de um produto de excelência como é o "verdelho". A afirmação da relevância do ancoradouro faialense ganha projecção à medida que se verifica o declínio da rota do Cabo e a marginalização do porto de Angra que a Provedoria das Armadas, instituída no século XVI, projectara no contexto do Atlântico. Escala privilegiada da navegação oriunda das Américas, o porto da Horta reforça a sua importância como entreposto indispensável nas trocas do comércio, dispondo de uma valiosa moeda de troca representada pelos milhares de pipas de vinho de qualidade que atravessam o canal que separa as duas ilhas vizinhas. O Norte da Europa e as possessões inglesas nas Antilhas, nos séculos XVIII e XIX, contam-se entre os principais mercados consumidores do apreciado "verdelho". Em contrapartida, do Brasil, da Terra Nova, dos Estados Unidos da América e da Inglaterra, chegam ao Faial mercadorias e géneros da mais diversificada natureza.

Atraídos pelas oportunidades de negócio, mercadores e negociantes estrangeiros fixam-se no burgo faialense, animando-o e emprestando-lhe a feição cosmopolita que se tornaria, com o rolar do tempo, como que o timbre da própria ilha. O porto da Horta, dando lugar à fixação de estrangeiros com conhecimento dos mecanismos do comércio, experiência internacional e visão larga no domínio dos negócios, torna-se em verdadeiro elemento estruturante da vida faialense em todas as suas vertentes, ao garantir uma enorme permeabilidade à inovação e criando condições de formação de uma elite de vanguarda nesta parcela do Atlântico. Viajantes, homens de ciência e aventureiros, como testemunha a literatura de viagens do século XIX que ao Faial se refere, sublinham da forma mais encomiástica esta imagem de uma Horta mercantil e culta.

Uma matriz cultural portuguesa

A cultura faialense, espelhando modelos e formas também evidentes nas restantes ilhas e determinada por idênticas motivações, em que os factores de ordem religiosa e de evangelização predominam, manifesta-se essencialmente no património edificado. Nos templos e igrejas conventuais de estilo barroco, assinalando a presença das ordens religiosas com destaque para os franciscanos e jesuítas - o Faial ostenta a mais expressiva marca do rasto cultural que aquelas congregações deixaram nestas ilhas e que, de algum modo, brilham com destaque no recorte urbano da Horta, com uma grandeza quase desproporcionada em relação à modéstia do aglomerado, mas logrando com surpreendente êxito não exceder o limiar de um harmonioso equilíbrio que ressalta do seu conjunto.

No plano da cultura popular, também ela influenciada pela religiosidade, as suas manifestações revelam a marca identitária de uma raiz portuguesa inquestionável. Na música e nas danças; nos jogos e no cancioneiro e, em especial, no ritual das festividades com particular destaque para as que o povo dedica à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, podemos reconhecer os matizes de formas e modos de exprimir a fé, a alegria e uma mundividência moldada por valores e crenças que a transposição para as ilhas não tornou irreconhecíveis.

A transição para a contemporaneidade

Esgotado o modelo governativo da capitania-general, que o pronunciamento liberal de 1820 anuncia e que as próprias vicissitudes do movimento nos Açores fazem oscilar quanto a um fim definitivo com as reformas de Mousinho da Silveira, o Faial renova o seu papel de protagonista forçado no acidentado processo que levaria à instauração definitiva do liberalismo em Portugal. Uma vez mais, graças às virtudes do seu ancoradouro e aos recursos disponíveis em artífices e materiais para construção naval, a Horta insere-se na rede logística indispensável à constituição da expedição dos "Bravos do Mindelo". A elite faialense acolhe e apoia o imperador D. Pedro e a comitiva que o acompanha, emprestando ao velho burgo o colorido inusitado da presença estrangeira em que avulta o almirante Sartorius e a sua oficialidade. Caprichosas gravuras da baía faialense e do Pico fronteiro, que a pena do almirante fixou no decorrer da sua estada e pitorescas descrições pela pena do capitão Boid, resultado das suas deambulações por montes e vales da ilha do Faial na companhia das meninas Dabney, constituem hoje fonte incontornável e recurso iconográfico obrigatório sempre que esta época é evocada.

Nesta estreia de sabor algo épico a assinalar a entrada da ilha do Faial na contemporaneidade, importa afirmar que a singularidade da sua função histórica está indissoluvelmente associada às virtualidades da baía faialense e ao forte contributo para os créditos de excelência concedidos ao arquipélago açoriano no plano da estratégia internacional. Esta realidade pode bem considerar-se como verdadeiro factor de permanência no curso da história da ilha, projectando-a muito para além da sua valia económica e, naturalmente, da própria dimensão espacial.

Na transição do século XVIII para o século XIX, sobretudo com os episódios a que a fixação da corte portuguesa no Brasil em 1808 deu origem, a Horta vai desempenhar uma função logística da maior relevância no jogo da estratégia internacional, nomeadamente ao serviço dos desígnios da coroa britânica quanto ao domínio do Atlântico. Igual relevância resulta da posição da ilha do Faial ao servir de entreposto para baldeação das mercadorias entre as duas potências desavindas - a Inglaterra e os Estados Unidos da América - na fase derradeira que conduziu à guerra de 1812, como forma de colocar um fim ao mal resolvido desfecho das lutas de independência das antigas colónias da América.

No século e meio que se segue, pode dizer-se que a história do Faial se confunde com a história do seu porto. Os prenúncios de uma viragem tecnológica na transição dos anos 30 do século XIX, coincidente com a presença atenta da família Dabney estabelecida na vila faialense desde 1806, exercendo o comércio e o agenciamento da navegação transatlântica, darão à Horta lugar primacial na assistência à navegação a vapor. Até meados do século, a Horta será, por excelência, o porto carvoeiro dos Açores e mesmo quando o porto de Ponta Delgada, por virtude da antecipação do início da construção da sua doca em 1862, ultrapassa em importância o seu congénere das "ilhas de baixo", nem por isso a Horta deixa de registar importante movimento de escalas dos navios movidos a vapor. Neste contexto, porém, a par da continuidade da presença prestigiada da casa Dabney & Sons, assiste-se a uma disputa dos negócios com a firma Bensaúde, a qual, gradualmente, vai suplantar aquela. A par das actividades citadas, o porto permanece como escala privilegiada da frota baleeira americana de Nantucket e New Bedford que à Horta vinha refrescar e baldear o azeite que consignava à Casa Dabney. Esta função de porto baleeiro, conquanto em declínio ao longo do último quartel do século XIX, perdura ainda na primeira década do século XX, desenvolvendo-se paralelamente as armações baleeiras locais que animaram a economia de todas as ilhas, em particular do Faial e do Pico.

Com o desenvolvimento das telecomunicações, renova-se o interesse pelo Faial a que não é estranha a sua posição no Atlântico. O ano de 1893 assinala a ligação à Horta do primeiro cabo submarino de telecomunicações a cargo da Europe & Azores Telegraph Co. Até 1928 "amarram" na Horta 15 cabos submarinos, transformando a pequena cidade num dos maiores centros de comunicações do mundo. O encerramento da última empresa de cabo submarino, em 1969, fecha um dos períodos de maior prosperidade da ilha. A fixação de numeroso contingente de técnicos estrangeiros na cidade da Horta - sobretudo de ingleses e alemães - e a dinâmica de serviços associada às companhias, proporcionou durante largos anos emprego qualificado, gerando uma saudável aculturação cujas repercussões no plano social, cultural e desportivo, catapultaram a sociedade faialense de então para um plano de vanguarda no panorama ilhéu. Conferindo a este período da vida faialense uma maior espessura histórica, o Faial assiste aos primeiros ensaios das travessias aéreas reeditando os seus préstimos de escala viabilizadora das grandes realizações que estreitaram as relações entre as margens do imenso Atlântico.

Em 1919 o hidroavião americano NC 4 sulca as águas da baía da Horta concluindo o primeiro grande feito da aviação transatlântica, transpondo o oceano pela primeira vez. Nos anos vinte realizam-se experiências mal sucedidas tendo a Horta por pano de fundo até que, em 1932, na baía da Horta, vem ancorar o DO - X – a maior aeronave do mundo – proveniente da Terra Nova. Os anos seguintes são dominados pelos feitos de Italo Balbo que em 1933 surpreende a população faialense com a amaragem de nove hidroaviões das suas esquadrilhas, enchendo ruidosamente a baía sob o olhar curioso da numerosa assistência dispersa ao longo da cidade. O ciclo fecharia com o voo de Charles Lindbergh realizado no mesmo ano, cujos propósitos visavam o lançamento de voos comerciais regulares pela Pan American, tendo por base de operações o ancoradouro faialense. Ainda antes de concretizados os objectivos desta companhia, decorrem nos anos de 1938 e 1939, no amplo canal entre as ilhas do Faial e Pico, as experiências alemãs com aviões catapultados do convés de navios com o fim de "acelerar" o transporte transatlântico de correio. Todavia, é a partir de 1939 com os voos dos famosos clippers do Pan American que a Horta inaugura uma época notável da sua história. Ao Faial, já inserido nos circuitos das telecomunicações mundiais, – e até por isso mesmo –, tornava-se agora próxima e familiar a realidade do mundo Atlântico. De par com Lisboa, Paris, Londres e New York... Actores, banqueiros e celebridades dos mais variados sectores da vida económica, cultural e artística animaram, frequentemente, por breves horas de escala, a vida social da cidade da Horta. E assim foi até ao final da II Guerra Mundial, quando a aviação terrestre relegou a baía faialense para o plano das evocações saudosistas de um passado cuja euforia ninguém imaginava ser tão efémera. Com o final das hostilidades o declínio do porto, que fora base naval dos aliados, também se acentuou. Será a navegação de recreio a iniciar um novo e promissor ciclo, assegurando à Horta o lugar cimeiro de "capital do yachting do Atlântico Norte" e um auspicioso regresso à ambiência cosmopolita que cimentou a sua imagem ao longo dos séculos. A marina da Horta inaugurada em 1986, com uma excelente integração na zona envolvente da cidade, consagra a vocação da baía faialense para essa função polarizadora a meio do Atlântico.

A viragem para uma nova realidade

O percurso que acima se esboçou desenha, de alguma maneira, os contornos da realidade económica no período contemporâneo. Extinta a cultura do pastel e reduzida a uma dimensão cada vez mais insignificante a produção cerealífera, a primeira metade do século XIX verá florescer a produção de citrinos e a sua exportação em escala modesta para os portos do Norte da Europa e para Boston. Contudo, será o vinho "verdelho" do Pico que continua a fazer a opulência das principais casas faialenses, animando um expressivo comércio de exportação para a Europa do Norte e para os Estados Unidos da América. A devastação dos pomares e dos vinhedos, atingindo o seu auge em 1857, assumiu contornos de enorme dramatismo na vida das comunidades das ilha do Faial e do Pico, quer em termos económicos quer em termos sociais.

Associam-se-lhe, não só uma revolução da estrutura fundiária da ilha do Pico em termos da transferência da posse da terra de vinha para os residentes naquela ilha, como ainda o eclodir de um surto emigratório para os Estados Unidos da América, determinando uma inflexão no direccionamento dos fluxos tradicionais. A miragem da aura da Califórnia terá sido, certamente, força motivadora a determinar a partida de muitos faialenses que iriam engrossar a fileira dos pioneiros do farwest americano.

Das actividades económicas com importância para a ilha, ganha solidez a caça ao cachalote cujos primórdios vão merecer as atenções da Casa Dabney e dos Bensaúde. Com o desenvolvimento da actividade, formam-se "armações baleeiras" locais cujo peso numa pequena economia como a da ilha do Faial, não pode menosprezar-se.

A agro-pecuária e, depois, a pesca dos tunídeos, com as indústrias que lhes estão associadas serão, ao longo do século XX, os sectores de eleição no desenvolvimento do Faial. Porém, na área dos serviços, nomeadamente com as companhias de cabo submarino desde finais do século XIX até a sua extinção e com o agenciamento de navios nos séculos XIX e na primeiro metade do século XX, embora já a declinar, a economia faialense terá encontrado valioso recurso e insubstituível estímulo à ocupação e fixação de mão de obra. A "baía" - para usar a terminologia simplista dos "marítimos", era um mundo de oportunidades em que a marginalidade coexistia em harmonia completa com a mais honesta das ocupações - aquela e estas, parte indissociável de uma prática quotidiana em que os protagonistas, com espantosa naturalidade, trocavam de função conforme as circunstâncias, exercendo com igual empenho a mais esforçada estiva a bordo de um qualquer cargueiro, ou afoitando-se pela calada da noite no contrabando de umas "meias de vidro" ou de umas "cabeças" de Lucky Strike atiradas precipitadamente da amurada de um navio amarrado à bóia. Afinal, pequenas trapaças que a designação eufemística de "comida apanhada", de algum modo sublimava, conferindo a qualquer desvio indevido de mercadoria estranha o carácter de uma inocente acção filantrópica em beneficio dos mais desfavorecidos. Todavia, numa economia muito dependente do exterior, não pode ignorar-se que o arquipélago sofre o embate das crises que assolam os países com que nos relacionamos. A crise dos anos 30, na decorrência da recessão subsequente ao crash de 1929, também atinge o Faial deixando o seu rasto de dificuldades a marcar um tempo de crise. A falência do Banco do Fayal e o impacto que teve na economia do Faial e Pico e, também, junto dos emigrantes desta zona do arquipélago na América, é disso exemplo. É na decorrência destes acontecimentos que se compreende o esforço de consciencialização colectiva iniciado com o 1º Congresso Açoriano realizado em Lisboa em 1938, cujo sucedâneo faialense tem lugar na Horta em 1939 com a realização da Conferência económica do Distrito da Horta. Certamente iniciativas meritórias no domínio da reflexão dos problemas mas pouco consequentes no plano prático. O espartilho do regime administrativo distrital e os magros réditos de que dispunham as Juntas Gerais dos distritos autónomos dos Açores, eram impedimento que as diligências isoladas dos governadores civis junto do governo central não logravam ultrapassar.

Com a erupção vulcânica dos Capelinhos em 1957, originando um surto emigratório para os Estados Unidos da América ao abrigo de legislação específica de iniciativa do futuro presidente John Kennedy, o Faial sofre uma forte redução demográfica com grande impacto na estrutura social da ilha e originando desequilíbrios que o tempo decorrido não permitiu compensar. A população da ilha do Faial, nestas circunstâncias, veria reduzido o seu efectivo a cerca de metade, situando-se hoje em escassos 15.000 habitantes.

Na esteira dos esforços nacionais para acompanhar as iniciativas da Europa moderna de finais do século XIX, projectando os seus locais na "moda" a verdadeiros retiros apetecíveis a um número crescente de gente disponível para o lazer, o Faial desperta, desde cedo, para a preocupação de promover a sua imagem no exterior. Largamente divulgado em expressivas páginas de viajantes cujo labor ao longo do século XIX constitui um interessante acervo para o estudo do passado recente do arquipélago, o Faial era conhecido em ambos os lados do Atlântico como local desejável para uma estada repousante. Na linha da iniciativa micaelense, criando em 1898 a Sociedade Propagadora de Notícias Michaelenses, a imprensa do Faial, ainda que sem repercussão visível, faz-se eco do interesse em levar por diante idêntico projecto. Todavia, o longo processo de inserção dos Açores num projecto integrado de planificação turística, apenas surge com a criação das instituições autonómicas após o 25 de Abril de 1974. É neste quadro que o Faial ocupa posição destacada, assumindo-se como pólo dinamizador de uma zona turística de riqueza ímpar no tocante ao seu potencial de desenvolvimento. Neste contexto, a indústria turística abre perspectivas estimulantes para a ilha do Faial, sendo que o conjunto das infra-estruturas existentes e em curso, de apreciável nível de qualidade, prenunciam para esta ilha o desenvolvimento de um sector de razoável dimensão e impacto na economia local, facto que a classificação internacional do aeroporto da Horta certamente favorecerá.

Repercussões dos novos tempos

A tradicional abertura ao mundo Atlântico e a sua continuidade no período contemporâneo, explica a permeabilidade da elite faialense às novas ideias veiculadas a partir das correntes filosóficas do século XVIII. O sopro renovador do ideário liberal, a que não será estranha a presença de famílias estrangeiras na vila da Horta, em particular os Dabney oriundos da republicana América, terão influenciado o meio faialense.

Sinal e expressão de um espírito associativista com largas repercussões culturais, contam-se as lojas maçónicas do Faial, entre as quais avulta o "Amor da Pátria" - hoje instalado num magnífico edifício e com uma finalidade social ideologicamente desvinculada - e numerosas agremiações culturais e recreativas que animaram o meio faialense. Na imprensa, surgida na Horta em 1857, em dezenas de títulos editados ao longo de anos, manifestaram o seu talento de prosadores e poetas, figuras notáveis da cultura açoriana. João José da Graça, Manuel Joaquim Dias, Garcia Monteiro, Florêncio Terra, António Lourenço Silveira Macedo, Ferreira de Serpa e muitos outros, representam uma geração culta e socialmente empenhada que fez merecer à Horta do primeiro quartel do século XX os mais encomiásticos atributos como meio cultural de excepcional pujança.

O teatro teve larga divulgação na Horta desde meados do século XIX e a esta arte, nomeadamente em salões privados, dedicaram talento invulgar numerosos grupos de amadores.

Na arquitectura, as manifestações mais significativas prendem-se com a edificação de uma arquitectura civil de porte pouco usual na ilha, integrando as residências dos Dabney com seus jardins adjacentes - a Bagatelle, a Fredónia e The Cedars - e pelos exemplares bem característicos que formam os núcleos habitacionais das antigas companhias de cabo submarino. A ocorrência no Faial de um terramoto em 1926, deu lugar a uma reconstrução na qual se compreendem alguns imóveis representativos da chamada "arte nova" cuja presença na cidade empresta ao conjunto urbano assinalável leveza e graciosidade.
Na sequência de um ensino muito deficiente e limitado, herdado da reforma pombalina cujo alcance nas ilhas jamais ganhou expressão digna de mérito, criou-se no Faial, em 1853, um liceu. Extinta a escola de formação de professores que funcionava junto ao liceu, o Faial limita-se actualmente aos graus de ensino até ao 12.º ano. O Instituto de Oceanografia e Pescas, como pólo da Universidade dos Açores instalado na cidade da Horta, restringe a sua actividade à vertente científica de investigação.

Da Capitania-Geral à autonomia

Ao nível das instituições e da administração, extinta a Capitania-Geral dos Açores após a vitória liberal, desfaz-se a indesejada dependência de Angra, símbolo de uma unidade sempre mal acolhida pelos grupos dominantes da Horta e de Ponta Delgada. A partir das Cortes Constituintes de 1822, a Horta passa a ser sede de uma das três comarcas então criadas, agregando sob a sua influência as ilhas do Pico, Flores e Corvo. Seria solução de pouca dura, seguindo-se um período muito conturbado assinalado pelo regresso episódico da capitania-geral até 1832. Gorada a iniciativa de Mousinho da Silveira, de 1832, baseada na criação de uma prefeitura, fazendo de algum modo reeditar uma relação de dependência de má memória, nem por isso teria êxito a reformulação levada a cabo em 1833, em que se procedia à divisão do arquipélago em duas províncias o que, como é óbvio, marginalizava a Horta. Como marco assinalável neste período, em reconhecimento dos seus préstimos para o êxito da causa liberal, a Horta recebe em 1833 o estatuto de cidade. Mas permanecia em aberto a questão do modelo administrativo para os Açores. Assim, em 1835, criam-se os distritos administrativos - o distrito da Horta apenas é contemplado por legislação de 1836 -, modelo configurando uma pretensa autonomia que vai perdurar até 1975 e cujas sequelas ainda hoje se fazem sentir, bem notórias na persistência de idiossincrasias impeditivas de uma preconizada unidade insular capaz de viabilizar a harmonização do desenvolvimento das ilhas. Com o primeiro movimento autonomista consagrado no decreto de Hintze Ribeiro de 1895, alcançado num contexto de crise nacional profunda, esboça-se uma administração autónoma a qual, nem por isso, subtrai o arquipélago à centralidade dos governos de Lisboa, seja sob a monarquia, seja já em regime republicano para a implantação da qual muito contribuíram açorianos ilustres, entre eles o faialense Manuel de Arriaga. Legislação de 1928, sob o regime de Salazar, em vez de promover uma melhoria do sistema e um maior desafogo financeiro, veio, ao invés, agravar as dificuldades da administração insular. Todavia, devido a alegada insuficiência financeira, o distrito da Horta apenas será abrangido pela legislação comum aos demais, com o Estatuto dos Distritos Autónomos Insulares aprovado em 1940.

Com o movimento de 25 de Abril de 1974, a estrutura distrital é extinta e a autonomia reforça-se segundo um modelo democrático de maior amplitude, exprimindo-se através de um órgão legislativo e de um governo próprios, com competências estatuídas nos planos político, económico e financeiro. Neste novo quadro político, e dando corpo a uma opção tripolar - reminiscência herdada da concepção distrital - estabeleceram-se no Faial duas das Secretarias do Governo Regional dos Açores, bem como a sede da Assembleia Legislativa Regional, o órgão máximo da autonomia dos Açores.

Em jeito de epílogo

Numa avaliação global da presença do Faial na história do arquipélago, poderíamos tentar a formulação de um perfil essencial capaz de explicar o contributo singular desta ilha nos rumos que o arquipélago foi trilhando ao logo dos séculos. Com este propósito, talvez seja legítimo afirmar que esse perfil resultará da confluência da gradual cristalização de uma vivência ancestral reelaborada no isolamento insular, aglutinando influências de gente que lhe era estranha, desde os primórdios do povoamento, com a interacção secular de factores externos que se tornaram presentes e se impuseram na sociedade faialense. Esta transferência de valores resultante do peso dos factores externos referidos, actuou, quase invariavelmente, por via da excelência das condições do seu porto, – precisamente em virtude da centralidade estratégica que as condições geográficas, tecnológicas e, também, do encadeado conjuntural que foi dando lugar a exigências inerentes ao jogo diplomático no quadro da arena política internacional – forjando alguns dos traços permanentes inconfundíveis, que conferem ao Faial uma identidade própria que qualifica e define a sua singularidade.

Selecção bibliográfica

Arruda, Manuel Monteiro Velho, Colecção de documentos relativos ao descobrimento e povoamento dos Açores, 2ª ed., Ponta Delgado, Instituto Cultural de Ponta Delgada, 1977.
Costa, Ricardo Manuel Madruga da, "Faial 1808-1810. Um tempo memorável", in Boletim do Núcleo Cultural da Horta, 1993-95, v.11, pp. 135-283.
Costa, Ricardo Manuel Madruga da, "Breves notas para a história do porto da Horta (Seguidas da transcrição da correspondência Dabney-Bensaúde)", in Boletim do Núcleo Cultural da Horta, 1996-97, v. 12, pp. 9-109.
Costa, Ricardo Manuel Madruga da, "As invasões francesas e a transferência da coroa portuguesa para o Brasil. Algumas repercussões nos Açores", in Arquipélago-História, 2.ª série, 1999, v.3, pp. 275-324.
Costa, Carreiro da, Esboço Histórico dos Açores, Ponta Delgada, Instituto Universitário dos Açores, 1978.
Dabney, Roxana Lewis, Annals of the Dabney family in Fayal, [Boston], ed. for private circulation, [1899].
Duncan, T. Bentley, Atlantic islands. Madeira, the Azores and the Cape Verdes in Seventeenth - Century. Commerce and Navigation, Chicago and London, The University of Chicago Press, 1972.
Enes, Carlos, A economia açoriana entre as duas guerras mundiais, Lisboa, edições Salamandra, 1994.
Gil, Maria Olímpia da Rocha, O Arquipélago dos Açores no século XVII. Aspectos sócio-económicos (1575-1675), Castelo Branco, ed. do autora, 1979.
Horta - De Vila a Cidade, Horta, Edição da Câmara Municipal da Horta, 1983.
João, Maria Isabel, Os Açores no século XIX. Economia, Sociedade e Movimentos Autonomistas, Lisboa, Edições Cosmos, 1991.
Leite, José Guilherme Reis, A autonomia dos Açores na legislação Portuguesa, 1892-1947, Horta, Assembleia Legislativa Regional dos Açores, 1987.
Lima, Marcelino, Anais do município da Horta, Famalicão, Oficina Minerva, 1940.
Macedo, António Lourenço da Silveira, História das quatro ilhas que formam o distrito da Horta, 3 vols., ed. fac-similada da ed. de 1871, Angra do Heroísmo, Secretaria Regional da Educação e Cultura, 1981.
Martins, Francisco Ernesto Oliveira, Arquitectura nos Açores. Subsídios para o seu estudo, Horta, Secretaria Regional dos Transportes e Turismo, 1983.
Matos, Artur Teodoro de, "Açores: Ponto de convergência de rotas comerciais", in Oceanos, n.º 1, Lisboa, Junho 1989, pp. 83-86.
Matos, Artur Teodoro de, "Origem e reminiscências dos povoadores das ilhas Atlânticas", in Bartolomeu Dias e a sua época, Actas, Porto, Universidade do Porto; Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1989, vol.III, pp. 241-252.
Meneses, Avelino de Freitas de, Os Açores nas encruzilhadas de Setecentos (1740-1770), 2 vols., Ponta Delgada, Universidade dos Açores, 1993-94.
Meneses, Avelino de Freitas de, "Açores: Povoamento e Administração", in Oceanos, n.º 1, Lisboa, Junho de 1989, pp. 59-64.
Meneses, Avelino de Freitas de, "A relevância geoeconómica do Faial na conjuntura açoriana de setecentos", in Boletim do Núcleo Cultural da Horta, Horta, 1989-90, v. 9, pp. 3-21.
Rogers, Francis M., A Horta dos Cabos Submarinos, Horta, ed. da Delegação de Turismo da Horta, s.d.
Rosa, Tomás da, "Evocação do período áureo da cultura no Faial", in Livro da III Semana de Estudos dos Açores, Horta, ed. do Instituto Cultural de Ponta Delgada, 1964, pp. 249-271.
Silveira, Carlos Ramos da; Faria, Fernando, Apontamentos para a história da aviação nos Açores, Horta, Secretaria Regional dos Transportes e Turismo, 1986.
Telo, António José, Os Açores e controlo do Atlântico (1898-1948), Lisboa, ed. ASA, 1993.

* Licenciado em História.

O Inventário do Património Imóvel do Concelho da Horta
Património Vegetal
Breve Esboço Sobre a História do Faial
Horta - Uma Leitura da sua Evolução Urbana
A habitação Rural do Concelho da Horta - Casas "Populares" e Casas "Senhoriais"
Produção Cerâmica e Estruturas Edificadas na Ilha do Faial
Faial. Horta
Inventário do Património Imóvel dos Açores
Última actualização em 2006-08-07