O Inventário do Património Imóvel do Concelho de Vila Nova do Corvo
 

Jorge A. Paulus Bruno*

Após a conclusão da inventariação do património imóvel dos três concelhos da ilha do Pico (São Roque, Lajes e Madalena), seguiu-se a do concelho de Vila Nova do Corvo. A decisão tomada no sentido deste concelho suceder-se aos da ilha do Pico teve em conta a sua reduzida dimensão territorial (17 Km2) e populacional (418 indivíduos - resultados preliminares do censo de 2001). Por este motivo, resolveu acoplar-se a realização deste inventário à parte final do concelho da Madalena, razão pela qual o Inventário do Património Imóvel de Vila Nova do Corvo pode ainda considerar-se como fazendo parte da primeira fase da execução deste projecto, que integrou, por consequência, os três concelhos da ilha do Pico e este, da ilha do Corvo.

Foi durante esta fase que se procedeu à aplicação, teste e análise deste modelo de inventário e se concluiu pela oportunidade de alguns ajustes na sua estrutura, de modo a torná-lo mais operativo e coerente.

Dado o reduzido número de espécies edificadas a observar neste concelho, os trabalhos da equipa que executou a campanha de terreno (João Pedro Abreu e Simão Minhós Martins) decorreram durante um fim de semana no mês de Julho de 1998. Esse curto período de tempo foi o suficiente para que a equipa tomasse conhecimento do contido universo do património imóvel da ilha e procedesse ao consequente levantamento das espécies que, na base dos critérios estabelecidos, lhes pareceram inventariáveis. Logo de imediato a esta acção, deslocaram-se à ilha do Corvo os elementos que integram a equipa de consultores (João Vieira Caldas, José Manuel Fernandes e Rui de Sousa Martins) decorrendo, de seguida, durante um dia, a apreciação, análise e - sempre que necessário - a correcção do trabalho desenvolvido por aquela equipa e a efectivação da inventariação das espécies que passaram a constituir o Inventário do Património Imóvel do Corvo.

Nas semanas que antecederam esta campanha de terreno, foram efectuadas pesquisas bibliográficas e documentais relacionadas com o concelho. Neste âmbito, importa salientar dois dossiês cuja informação, de substancial interesse, foi objecto de consultas frequentes e detalhadas: o Arquivo da Arquitectura Popular dos Açores, AAVV, A.A.P., 1993 e o Plano Director Municipal do Corvo, Universidade dos Açores, 1994.

Embora numa comunidade pequena como é esta, toda e qualquer dinâmica ascendente que pudesse ser criada em torno da execução de um projecto desta natureza teria vantagens evidentes. Assim, no período de tempo compreendido nos dois meses que antecederam a deslocação das equipas ao terreno, a presença do coordenador do projecto na ilha para desenvolver contactos e assegurar recursos e apoios logísticos permitiu, desde logo, passar a ser do conhecimento de quase toda a população os objectivos do projecto e ficar estabelecida uma relação de confiança com os munícipes. Mesmo assim, não foi dispensada uma sessão pública de apresentação e discussão do projecto pelo coordenador, que teve lugar na Casa do Espírito Santo e nela estiveram presentes alguns corvinos que interessadamente participaram no debate que se lhe seguiu. No salão da sede social da Associação dos Bombeiros Voluntários da ilha do Corvo, por seu lado, foi apresentada uma exposição sobre a Arquitectura Popular dos Açores, concebida e realizada pela então Associação dos Arquitectos Portugueses.

Para além disso, sempre que alguém foi contactado pela equipa do terreno, esta entregou-lhe um folheto informativo sobre o projecto, destinado a sensibilizar a população em geral para a execução do inventário do património imóvel do concelho.

Em todas estas acções, a pronta colaboração e a sempre presente disponibilidade dos corvinos constituem uma nota constante, comprovadora do clima de simpatia e acolhimento em que decorreram os trabalhos. É justo, porém, que, entre as diversas colaborações, se saliente a da Câmara Municipal do Corvo, na pessoa do seu presidente, Manuel das Pedras Rita, que, traduzida desde a mais elementar informação até à cedência de apreciáveis recursos logísticos, contribuiu determinantemente para a boa concretização deste projecto, do qual resultaram vinte e sete espécies inventariadas.

E é de dar conta, ao público em geral e aos habitantes desta ilha em particular, do resultado deste trabalho que trata esta publicação. Com efeito, depois de publicados os inventários do património imóvel da ilha do Pico, pela ordem a que corresponderam os trabalhos, segue-se o do Corvo. Os objectivos já anteriormente traçados mantêm-se: acautelando alguma informação que não se destina a divulgação pública, dispensando outra que para este fim não se reveste de especial interesse, e seleccionando as mais significativas e exemplares imagens de cada objecto inventariado, pretende divulgar-se o essencial da informação que lhes respeita.

Sendo esta a quarta publicação da série iniciada com o concelho de São Roque do Pico, é de esperar que ela continue a manter a matriz gráfica estabelecida, que procura divulgar estes dados de uma forma acessível - graficamente contida - onde se conjugam os elementos textuais - organizados a partir da sua arrumação na ficha de caracterização - com os visuais, numa solução gráfica assumidamente moderna. A anteceder a abordagem das espécies inventariadas, publica-se uma série de mapas que representa graficamente, de uma forma simplificada, a respectiva localização, correspondendo cada um destes mapas a uma categoria ou grupo tipológico segundo os quais foi identificado cada um dos objectos inventariados. No fim publica-se ainda um pequeno glossário com alguns termos que se entendeu conveniente facilitar a compreensão do seu significado no contexto da sua aplicação na ficha. Neste aspecto, de resto, foram, sempre que possível, utilizadas designações universais, apenas havendo a recorrência a terminologia local quando a situação o exigiu.

*Coordenador do Projecto do Inventário do Património Imóvel dos Açores

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Corvo. Vila Nova
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Última actualização em 2006-03-24